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January 21

Desejos

"Sob o chuveiro amar, sabão e beijos,
ou na banheira amar, de água vestidos,
amor escorregante, foge, prende-se,
torna a fugir, água nos olhos, bocas,
dança, navegação, mergulho, chuva,
essa espuma nos ventres, a brancura
triangular do sexo -- é água, esperma,
é amor se esvaindo, ou nos tornamos fontes?"

Carlos Drummond de Andrade
Este gajo sabia-a toda... e depois ainda me ponho a ler o que ele escreve... só piora, claro está.
Como confissão: estas noites,que não deixam o desejo acalmar faz apetecer o amor num chuveiro. Ou um amor urgente num repuxo qualquer de jardim.
Transformar o chão em cama para satisfazer os pensamentos famintos e satânicos, que se apoderam de mim.
Eu assim, no atraso, a criar teias de aranha, até deve fazer mal!
Mas pior que isso, ainda me dou ao luxo de ser esquisitinha e arredar mãos que teimam em subir-me pela perna, por baixo do tecido do vestido preto. Mãos teimosas... elas não sabem que eu, com o meu vestido preto, nunca me comprometo.
Como é que é possivel? tenho cá para mim, que os homens ao morrerem, nem deus lhes permite entrar no céu por tamanho pecado que cometeram, ao deixar uma mulher como eu, de corpinho de sereia e pezinhos de lã, à míngua.
E nem é por nada...mas passo os dias em aquecimento e compareço sempre aos treinos, não sei porque raio é que em dia de jogo fico sempre no banco!
Homens... andam a falhar comigo, ai andam andam.
Quer dizer que estou mesmo piiiii.
January 10

Por uma noite...conduz-me.

Por uma noite... conduz-me.
Esta noite, conduz-me.
Leva-me para longe enquanto a noite misteriosa se transforma em dia.
Deixa-me na pele as marcas da paixão, do tesão. Para que de manhã, toda a alma lavada se sinta vazia. E o corpo dorido e cansado faça ver toda a vida de uma forma muito mais leve.
Crava-me as unhas na pele, desliza todos os dedos em mim. Sua-me o corpo, aperta-me com os teus braços, puxa-me para ti, diz que me queres.
Desabotoa-me as calças, rasga-me a roupa, deita tudo fora, tudo o que prende por dentro. Agora.
Passa-me a lingua no pescoço, nas costas, entra em mim, chama o meu nome.
Esgota-me.
Tira de mim o fogo, liberta-me de gritos silenciosos, dos olhares perdidos, dos gemidos sôfregos que arrasto.
 A noite está quente. Não me perguntes onde quero ir. Leva-me. Conduz-me.
Diz-me tu.
Onde me queres levar?
 
December 21

Não custa nada, e é Natal...

pai natal

Olá Nicolau (take 32)
Espero que depois de 32 anitos, não te chateies por te tratar assim, tu cá, tu lá...


Juro-te que tenho horas em que apetece agarrar-te as bochechas vermelhinhas (do tinto) e repenicá-las de b'jinhos, b'jinhos, b'jinhos. Enfiar os dedos nas tuas barbas (falsas) e puxá-las com carinho.
Juro-te que tenho horas em que sim, que até te curto, te acho piada. Que me faz rir ver crianças aterrorizadas quando te vêm a insistir em sentá-las ao teu colo (outros já foram considerados pedófilos por muito menos).
Juro-te que tenho horas em que até posso dizer, sem mentir, que gosto de ti.

Esta hora, não é uma dessas.

Acho um abuso o que fazes. E até acredito que deve ser frustrante ninguem se lembrar de ti o resto do ano. Mas é engraçado que sou capaz de saber o que sentes. É que há pessoal que passa por mim na rua todo o santo ano e só agora me dirigem a palavra. E adivinha para dizer o quê? Feliz Natal! Chega a ser ridicula esta treta de tempo de paz e de amor, que eu, não fossem as luzinhas penduradas nas avenidas, árvores de jardins iluminadas e bonecos de imitação barata dos chineses ou loja dos 300, de pais- natal a teimarem em trepar por chaminés, nem sequer lembrava. Ou pior que isso, fazem de conta que és tu (os tais bonecos de plástico) a trepar varandas, que ainda é um cenário mais triste, fruto da época moderna. Não saberá esta gente que és gordo como um techugo? Como poderias tu trepar o que quer que fosse?

Bom... apesar desse discurso de tempo de paz, de amor ( e de caridade! que quase todos se lembram de dar qualquer coisita ao ceguinho que pede esmola todo o ano, como se só agora ele precisasse de comer), eu cá, continuo com vontade de esmurrar as fuças a uns e outros que se armam aos cágados. E a umas e outras tambem... que eu cá não vou nessa treta de não bater em mulheres. Mereçam elas a ver se não lhes vou às trombas! Era o que me faltava....
Mas eu não sou violenta. Sorte a minha senão bem que me enchiam de porrada. Talvez, com sorte, ainda desse um pontapé ou uma estaladita.

Ouvi dizer que os teus duendes afinal são doentes. Só assim se explica as horas extras (que duvido serem pagas ou compensadas) que os pobres desgraçados fazem.
Levar presentes a todas as crianças do mundo??? Ha Ha Ha (não, não digo Ho Ho HO)... não me faças rir.
E as renas? Tadinhas.... voam? heheheheheheh... pois sim. Deve ser da fome que as deixas passar o ano inteiro. Com certeza lá as enganas com um petisco, calculo. Qualquer coisa como: prometo que este ano é o ultimo, que vos vou tirar as algemas e libertar mas antes ainda vos dou um manjar de renas.
E elas, trengas, lá vão enganadas, a voar. (eheheheh... a voar! heeheheheheheh)
Tenho pena, sabes? Do Rodolfo, por quem tenho um carinho especial. E por vezes até custa acreditar... é que nem parece dele.


Mas é claro, como deves ter reparado, este ano, não me candidatei a Mãe- Natal. Fiquei a pensar (porque eu penso), não na alegria das tansinhas que acreditam em ti, mas na desilusão daquelas que já têm em ti pouca esperança. Não era justo. Creio que não seria capaz. Desisti... és com certeza a personagem certa para continuares a enganá-las. E a ajudares os pais a mentir-lhes com a treta do: "porta-te bem senão o Pai Natal não traz presentes"... blá blá blá...
Mas é melhor prevenir... porque já se vê por aí muita mãe natal. Ainda perdes o trono.

Eu, cá vou brincando contigo... porque como já te disse, até tenho horas em que te acho graça.
Este ano, só queria que fosses ao oftalmologista. E acrescento que a dieta não te faria mal nenhum. A idade avança, é preciso ter certos cuidados, sabes como é...
Mas ires ao oftalmologista, era boa ideia, sabes? Uma consulta de rotina, só para ver se ele te troca as lentes dos óculos. Para veres, sabes? Para veres bem os numeros que eu joguei no Euromilhões e dares uma mãozinha.
Garanto-te que passo a fazer como tu: Não faço um cu o ano inteiro, deixo lugar vago para alguem que precise de um ordenadito e horas de trabalho que nunca mais chegam ao fim. Trabalhar? O que é isso??? Que trabalhe o diabo que tem as unhas compridas.
E se fico excêntrica, sou bem capaz de alugar umas renas voadoras e dar a volta ao mundo numa só noite.
Quem sabe te faça uma visita ao Polo Norte? (No Verão claro... em que estás a coçar a micose. Ah e porque eu até sou capaz de me fazer de parvinha (que por vezes parece que o dinheiro tolda a inteligência ao pessoal) e dizer-te que faz muito calor por aí, nessa altura do ano).

E fico por aqui porque bem sabes que não gosto de te ofender, de dizer que és um charlatão, um filho que nem tem mãe e que continuo a achar que essas botas e esse fato te dão um ar de apaneleirado. Como não te digo estas coisas porque não gosto de te magoar, não as digo e fico-me por aqui.

Não te esqueças do meu pedido. Simples, como vês.
Vá lá... não custa nada. E é Natal.

 

December 10

Aprendiz, sim...mas aplicada!

Aprendiz, sim...mas aplicada!
Domingo. Três da tarde...
Ando numa cidade estranha. Elas vão comigo a falarem de coisas a que perdi a meada porque me deixo levar pela musica que toca baixinho, que vou escutando entre um riso e outro.
Páro no semáforo e deixo o pensamento voar para um sitio que agora já nem lembro...
Buzinam-me porque o semáforo passou a verde. Verde como o amor...hoje em dia os amores já não têm o vermelho como cor porque já nunca amadurecem... são verdes, amores verdes.
Odeio que me buzinem. E numa tarde de preguiça, sinceramente, não apetece nada levar com um apressadinho. Teimosa, continuo parada.
Buzina outra vez.
Saio do carro. Calmíssima.
Só queria mesmo paz, de tão cansada que ando das guerras. Das minhas e das que os outros inventam. E até daquelas onde estou sem saber como. E das outras onde me sinto de arma apontada ao peito sem saber porquê.
Às vezes sinto falta de sentir a sério...de ter uma daquelas paixões outra vez. Mas tambem sei que o resultado de uma paixão são as lágrimas ou o amor eterno. No meu caso, é mais a primeira..
Caminho em direcção do condutor.
- Qual é o problema?
Ele sai tambem...a barafustar. Fala alto de tão nervoso. Que tal, que sou cega, que se vê logo que sou mulher, que me saiu a carta no Juá, que com certeza não chega a tempo ao encontro...
E eu a perguntar porquê tanta pressa, hoje é Domingo...falo calmamente o que o deve deixar ainda mais irritado.
Tira os óculos de sol e vejo-lhe os olhos. Lindos.
Atira-os para dentro do carro num gesto rápido com uma mão quase perfeita. Sem aliança.
Continua a discutir comigo. Charmoso. Lábios com contornos divinais.
E eu calada, a olhá-lo. Alto.
Caminho para junto dele, num impulso, deslizo os dedos nos cabelos negros dele, puxo o seu rosto ao meu, dou-lhe um beijo na boca e digo-lhe:
- Tem calma... hoje é Domingo.
Viro as costas, vou embora. Já não ouço a sua voz rouca que lembra o pecado.
Entro no meu carro, devagar...a musica ainda toca baixinho e não se ouvem palavras nem risos, nada. Silêncio.
Elas três que não tiram os olhos esbugalhados de cima de mim, caladas.
Pelo retrovisor, vejo-o encostado à porta do carro, ainda aberta, parado.
Já não gesticula, já não diz nada.
Abre o sinal e eu arranco, numa calmia de quem conduz num Domingo calmo, às três da tarde. De quem só quer viver devagar na velocidade louca de uma vida alucinante.
Ouço uma buzina...deve ser para ele.
Quem sabe não retribui o beijo a alguem que, como ele, vem apressado e só precisa de algo assim, diferente, para ver uma cidade linda, pacata, com olhos melancólicos e frios como estes dias de inverno que por aqui se fazem sentir?
Dias em que apetece entrar numa casinha de pedra qualquer e sentarmo-nos à lareira a comer presunto com broa e a beber vinho tinto... a sentir o tempo, calmo...a ouvir os minutos a deslizarem na preguiça das horas.
Passado um grande bocado, só ouço a Ana a dizer:
- Eu não acredito nisto!
E desatamos todas a rir...é que nem eu acredito no que fiz!
Apeteceu-me.
Pois é...sou aprendiz de mulher, sim. Mas uma aprendiz muito aplicada!
E tambem tenho horas destas, que deixo sair aquele outro lado de mim...o lado do escurinho, o lado dos segredos, da luxuria.
Mas as atitudes, essas, convem que sejam inesqueciveis...
Como confissão: recordo aquele rosto a olhar-me, incrédulo. Talvez à espera que a qualquer minuto saisse alguem de trás de um arbusto, de câmera na mão, a mijar-se a rir e a dizer: apanhado!
E aqui entre nós, que ninguém ouve, apetece-me rir só por pensar nisso outra vez...
Marta, Marta...isso não se faz!
 
 
December 07

Eu mulher não aprendiz...

Por muito que a ideia não me agrade nada nadinha, tenho que aceitar que devo ter um problema e não deve ser tão pequeno quanto isso.
Penso tanto sem nunca chegar a nenhuma conclusão. Mas tenho umas quantas suspeitas...
É que tenho horas que me sinto o patinho feio...a maior tansa entre todas as coisas que mexem...
Saio à noite com as amigas, elas, com aquele olhar felino, com olhos inquietos à procura de uma presa com as poses sensuais e decotes com mamas que se vêm lá dentro e dizem-me:
- Olha Marta!, aquele é todo giro, está a olhar para ti....
- Não, deve estar distraido.
É que para mim, nunca ninguem me olha, nunca ninguem me vê...e se vê, é suspeito!
E elas lá na caça. Por vezes entro na brincadeira, mas só mesmo por brincadeira. Elas entram e dizem logo quem está, onde está com quem está e eu, sempre absorta.
- Viste o A B C?
- não....
Eu nunca vejo. E quando vejo são sempre os pormenores. Ou seja, aquilo que elas não vêm...analiso os comportamentos, rio-me de certas coisas que vejo...e fico feliz se der à primeira com a casa de banho das mulheres....
Tenho a sensação que devia ser loura, de tão distraida, mas pelo menos Deus livrou-me desse desgosto. Pelo menos isso!
E depois se cruzo o olhar com alguem, esta timidez não me permite manter mais que 2 segundos....não vá ele entender isso como um convite, ou tenha poderes mágicos para ver o que penso. E como se não bastasse, desvio sempre os olhos para a pila... ainda me enterro mais de vergonha... que merda
E claro, o mau feitio não ajuda muito...
Chegam-se a mim e oferecem-me a capirinha que eu não bebo, que dou às amigas e ele com cara de frustrado. Desculpa lá.... mas é que nem para te fazer o jeito bebo o que não quero.
E eles a tentarem, mas que fazer? Não me despertam aquela parte trancada, o desejo de conhecer, de saber mais, como que a dizer: hey libido, aqui estou eu!...
Es muito bonita. Pois sim, a bebida danifica os nervos ópticos...deforma a visão!
Bebe, bebe.... e verás com quem acordas!
Posso conhecer-te?
Ah, não te dês ao trabalho, ias desistir de qualquer maneira...é que nem eu me conheço.
Mas tenho dias em que me esforço, até que elas se lembram que eu ando ali (ou seja no momento em que vem a tal louraça que lhes leva a presa) e me descobrem, sentada, já com os olhos esbugalhados e cara de incrédula a ouvi-los falar que são uns coitadinhos, que ninguem lhes liga, que só queriam encontrar alguem....blá blá blá. Conversas do costume.
E não entendo bem como os homens dizem que evitam dizer a palavra "amo-te". É que eles dizem isso aos amigos, amigas, namoradas, conhecidas e afins...mas será que alguem acredita? Ah que tal, custa dizer isso, que tal, não consigo dizê-lo, que tal....Foda-se, pá...vocês, bêbedos é o que mais dizem! Só que não se lembram! Digo eu....
É que, sejamos sinceros, dizem mais depressa amo-te que o nome...o que acontece é que deve ser uma palavra nada sentida. Por aí, sim, já acredito....
E lá vêm elas salvarem-me.
E diga-se que sempre me saem as figuras mais tristres que existem no sitio. Um amigo diz-me que é porque esses já nada têm a perder, os outros, são cagões, com medo de ouvir algo que não seja: claro, querido, vamos para tua casa...nem se atrevem a chegar perto. É o medo, diz ele. Eu não acredito muito, acho que é só mesmo para eu não pensar tanto qual será afinal o meu problema. Mas finjo que acredito porque os homens gostam sempre que as mulheres acreditem nas suas mentirinhas....
A verdade verdadeira, é que as coisas mais lindas que ouvi foram de homens com estilo gregoriano (leia-se homens que quase dão no vómito. Vómito, gregório. Gregório, estilo gregoriano).
Se bem me lembro, todos os meus amores entraram de rompante na minha vida. Não foram conhecidos em bares nem nos chats. Como se a vida os tivesse empurrado para mim.
Mas tenho que aprender a ser mulher, que isto assim não dá com nada. E convém que me despache...é que aos trintae tres já cheguei.
Vou com elas às compras até que já não aguento mais e lá me sento, à espera que vejam todas as lojas, todas as peças, experimentem todos os modelitos, se metam com os gajos...e por aí fora. Eu lá me vou entretando a espreitar os brincos e os colares. É que não tenho paciência para estar ali num cubiculo a despir-me para experimentar um retalho de pano.
E depois elas sempre vêm que fulana está mais gorda/magra. E eu vejo-as sempre na mesma. Elas dão conta se a roupa é nova e eu acho-as sempre bonitas porque são minhas amigas. Acredito até que se alguma se chegasse nua ao pé de mim, era bem capaz de lhe dizer:
- olha que és capaz de ter frio....
Puxa.... que merda. pareço uma menina de 1.74m com pintelhos que usa fio dental, meias de ligas e saltos altos. Ou uma menina de ténis e peúgas com bonecas, cuecas amarelas, azuis, verdes, cor de rosa....
Custa-me a soltar a leoa, a fera, a deixar evaporar a sensualidade em frente a tantos.
Patinha feia! Sim, tu, Marta!!!!
É que olho para as outras, as que vejo como mulheres, e poucos traços lhes vejo idênticos aos meus.
Pronto, sou distraída....mas será isso um problema assim tãããããoo grande?
Acho que sim.
Isto para não pensar em todos os outros defeitos ou feitios que devem dar para preencher um rolo de papel higiénico....
Quer dizer que estou mesmo fodiiii...
December 06

Na cama com...

Há muito tempo que não me sentia tão acompanhada na cama...


Estou com:
- uma valente dor de cornadura
- o corpo que parece saído de uma luta de boxe
- o pingo no nariz, ou seja, ranhosa
- um termómetro para ver de 20 em 20 minutos se a puta da febre já baixou...
- uma caixa de comprimidos caros como os travões e já nem sei se estão a fazer algum efeito
- arrepios de frio, suores de calor... está dificil do corpo se dicidir
- dois pacotes de lenços já quase todos mais que usados
- lágrimas que me escorrem pelas fuças só de pensar na palavra luz...e ainda por cima a levar com esta do computador...
- daqui a nada vem a caneca de leite com mel juntar-se à festa...
- o Peter Murphy (ainda)
- umas olheiras até aos confins do inferno
Pois, armo-me em aventureira, toca de ir para a serra para lugares onde o diabo perdeu as botas gritou três vezes e ninguem o ouviu, depois dá nisto...
Já nem sei se deliro... nem sequer sei se consigo escrever uma frase com sentido...
Mas sei, isso sim, que os miminhos da mãe compensam tudo o resto.
E a gripe, vai passar.
Espero.

December 04

Arrepio...

Porque a noite chegou de mansinho, anunciada por um céu em tons laranjas, vermelhos e azuis... e lentamente, ficou a chamar o meu nome. Vezes sem fim, repetidamente, sem cansaço.
O meu nome nas luzes que reflectem no rio, nas pedras da calçada, nos olhares dos outros, nas estrelas, nos becos e nas ruas, na musica, no silencio, nas vozes dos bichos e dos anjos... em todos os lugares o meu nome.
Fecho os olhos, inspiro. Sorrio.
É hoje. É hora. É agora..
Vou sair por aí...e com estas mãos tocar o amor, num toque de pólen para depois lembrar.
Hoje eu vou deixar...
Deixar que a pele grite...
Deixar que a pele queime...
Deixar que a pele arrepie...
Que a alma vagueie, destemida, por entre todos os lugares.
Sorver a vida assim, numa taça de champanhe, na pressa de quem não quer acabar. Na lentidão de todos os sentidos, num torpor... com a precisão do tempo, nem antes nem depois.
Ser carne, alma, corpo, ser suor, tesão, paixão, sangue, ser coração acelerado, ser ponte, ser rio, ser mar... ser travo a saliva, desejo, ser vontade, ser alfa e ser ómega, ser jogo e jogar, ser dama e ser eu... ser tudo e ser nada. Dar tudo sem nada dar.
Sem nunca deixar de ser ser...
Hoje será assim.
Não foi ontem porque não era tempo, não será amanhã. Amanhã será tarde demais.
É neste instante, neste momento. Não pode ser doutra maneira.
Hoje quero que seja assim. Sentir o arrepio, o vazio, todas as galáxias em mim...
É noite lá fora... e eu vou deixar.
Deixar que a paixão entre devagar.
É que penso que está há tempo demais batendo à porta, baixinho....

December 03

Brrrrrrr......

Brrrrrr....
 
Socoooorrrroooo!!!!!
Está um frio de congelar o grelo....credo!
Mas quem é que saiu e não fechou a porta!?
 
 
 
November 29

Em noites frias...

Em noites frias....
Só queria ter umas mãos, que devagar, me percorressem o corpo numa massagem lenta, quente, sensual...
Em noites assim, em que sei que o frio está lá fora, e o corpo nu, deitado, tão quente...
Em noites assim, que apetece o sexo desvairado e louco nos lençois...
Que se deseja tanto um corpo colado ao nosso, suados...misturados em odores e sabores, em saliva em pele e em alma...em beijos e toques que arrepiam a pele, que a fazem gritar no silencio da noite....assim, enquanto a musica nos faz sonhar...you now the way...
E esta cama, tão imensa...tão vazia. Este silêncio sem vozes nem sorrisos.
E eu aqui tão imensa, tão vazia. Tão sem a outra parte, a que faz despertar o desejo que me consome nas noites frias, como esta. A parte satânica da alma que desfaz o corpo quando se deseja apenas outro corpo em nós...
Como confissão: hoje é uma daquelas noites em que apetecia mesmo....
Está aí alguem?
 
 
 
November 28

Descobertas...

Bancos traseiros...
 
No pico da noite escura os corpos em silêncio procuram-se. Só porque sim.
Margens de um rio.
O banco traseiro do carro...
Olhares que se cruzam sem permanecer, que percorrem milimetros de pele...mãos que despenteiam que deslizam que percorrem que querem conhecer. Ou que já conhecem.
Espaços apertados. É por isso que é intenso...
Corpos colados suados. Gemidos que se libertam que se prendem.
Corpos que se agarram que escorregam que se querem.
Respiração ofegante.
Sexos molhados.
Deixa-me sentar no teu colo, sabe tão bem assim.... o teu deslizar em mim... o ver-te.
O abraço.
O prazer.
Pele que queima com pele...o simples tocar de pele.
Sexo que esgota.
Corpos contorcidos na busca de um limite de prazer, da entrega.
Noites quentes.
Corpos que roçam para que possam quem sabe chegar...
Espaços que obrigam a estarmos tão perto. Ou juntos separados. Espaços que no chamego nos fazem desejar muito mais...
Linguas que lambem que deslizam.
Unhas que cravam que ferem que desejam.
Corpos que se rasgam que se enterram que se entregam.
Bocas que procuram no escuro e no silencio.
O doce deslizar de mãos nas costas... a pele que escorrega e arrepia... o êxtase do prazer contido.
Corpos que repousam e se olham num sorrir timido.
Marcas na pele.
Almas que se elevam e que podem descansar.
O dia que vai amanhecendo...
 
 
 
November 23

A noite vem vindo de longe...

A noite vem vindo de longe...
 
E para terminar o dia da melhor forma, vou fazer algo que gosto...
Assistir à chegada da noite num céu de tantas cores e ver as primeiras estrelas brilharem deixando os pensamentos vaguearem por aí.
Enquanto fumo em silêncio o cigarro da paz...antes de mergulhar numa banheira de espuma..
 
 
 
 
 
November 21

Pequenos desejos...

lareira

 

Ficar à lareira entre braços e amassos. Ouvindo uma musica a tocar baixinho e deixar os sentidos se libertarem devagar. Soltar amarras e procurar o teu corpo, desejando um chamego que queime ou que faça acalmar a chama do peito.
Transformar as noites frias de outono em desejos profanos, em luxuria, em prazer, em pecado, em paraíso, em sedução, em loucura, em sonho, em instinto, em essência, em excitação, em paixão, em êxtase, em delírios, em beijos, em cheiro de pele, em arrepios, em versos e reversos de corpos e almas que na entrega encontram paz...
 
                                              E tirar cada peça de roupa perante ti, ficando assim, completamente nua...

pequenos desejos2

                     Sentir as tuas mãos cheias de tudo o que é meu... cheias de pele, de saliva, de nádegas, de sexo, de suor...
 

chocolate

                  Deixarmo-nos levar por fantasias... embarcar em delicias de sabores que se misturam com carne e com prazer..

Pequenos desejos...

                       .E sentir o calor da tua boca em cara pedacinho de mim, em misturas de corpos que não se sabe onde
                                       começam nem onde terminam. Em toques quentes que causam arrepio, sabes?

desejo

      Deslizar pelo teu peito, descendo e provando cada recanto teu. Abocanhar-te o sexo, com lingua desejo e vontade, saboreando...
 

excitante03

                                                                         Puxares-me com força contra ti...
 

john8xe

                                                                             Entrares em mim devagar...
 
 
E descansar depois, com o corpo colado ao teu, em camas de lençóis claros...deixando na pele a marca e na memória o cheiro de dias assim. Dias que passaram devagar, mesmo com a chuva a cair lá fora, incessantemente...

Como confissão: há desejos tão simples, não há? E porque serão então, tão dificeis de realizar?
Creio que sou eu... talvez tenha deixado de acreditar que possa haver por aí algures um homem que possa dizer-se feliz comigo, concretizando desejos tão banais. Um homem que tenha coragem para enfrentar o mundo lutando pelo que quer e a sinceridade para dizer o que sente.
Talvez seja pedir demais... que alguem goste verdadeiramente de nós.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
November 16

E tu lembras-te?

E tu, lembras-te?
Quando acordei já não estavas cá. Alguma vez estiveste? Mas o teu cheiro ainda percorre o quarto inundado por uma luz que não queria ver, nem sentir.
Ao longe consigo ouvir o som da água a correr. Talvez te tenhas levantado e estejas no duche....ou sou eu que quero que seja assim?
Não importa....
Por momentos fecho os olhos, talvez tenha adormecido. Acordo (outra vez?) com um cheiro a perfume (o teu)... ainda estás aqui perto. Não me apetece mexer para te procurar. Não gosto de procurar, gosto de encontrar ou que me encontrem...
Gostava que chegasses aqui de mansinho (como sempre) me desses um beijo querendo despertar-me e me dissesses:
- Marta....acorda.
Mesmo que eu já estivesse acordada. Sim, esse beijo agora sabia bem. Talvez neste instante fosse apenas o que preciso. Que estranho.... precisar assim tanto de um beijo!
Passam minutos num relógio que faz tic tac... e deixo de ter o cheiro do teu perfume (sempre tu. Em tudo), de ter o teu cheiro no quarto...já não ouço sons de água que corre....já não ouço nada. O que se passa? Onde estás?
Levanto-me para te procurar. Será agora tarde demais? Logo eu que nunca te procurei....
E não te encontro. Estás em lado nenhum. Perdeste-te? Ou fui eu que te perdi? Talvez me tenha perdido a mim...
Quero lembrar-me de ti....e preciso esforçar-me para recordar cada pormenor do teu rosto. Mas esta noite estiveste comigo. Lembras-te?
Ou não estiveste? Terá sido esta ou há quatro meses atrás e tudo me parece recente?
Diz-me, tu lembras-te? Lembras? Diz-me.... não quero ficar com esta pergunta sem resposta. Alguma vez estiveste aqui comigo?
Os corredores são tão longos, custa-me pronunciar o teu nome...talvez porque dizê-lo ainda doa muito, doa demasiado.
As paredes não têm a luz de um sol quente que brilha lá fora. Onde estou?
E encontro-te.
Dobrado sobre o teu próprio corpo, num canto escuro de uma sala imensa...a chorar.
Vejo-te assim tão pequenino...lembrava-me de ti como um ser imenso e especial. E és...ainda és. Aqui neste silêncio posso dizê-lo. Ninguem me ouve. Tenho medo que alguem ouça...tenho medo que tu ouças. O medo. Sempre.
Mas o teu corpo, as tuas mãos com que escondes o rosto, os ombros com curvas quase perfeitas, igual. Como me lembro. Alguma vez foi assim?....
É neste instante que queria retomar todos os meus passos de volta a um passado. Até a um momento em que te quiz abraçar e dar a mão e não o fiz com medo que estranhasses... é sempre este medo. O medo de agir, de fazer...e depois, mais tarde, querer repetir, para quem sabe fazer tudo como deve ser feito. Haverá outra forma de fazer as coisas?
Quero mergulhar num mar de água fria, gelar o corpo, a mente para que não lembre. Quero sair e ter o teu abraço, aquele que dizias ser o começo de tudo. Aquele abraço que quebra o gelo que tenho em mim, que me faz acreditar, que me faz soluçar baixinho, no silencio. Que me faz sentir o cheiro do teu peito com sabor a eternidade. Mas isso não existe pois não? Nem o teu peito, nem o cheiro, nem eternidade. E o amor? Será que existe?
Poderia abraçar-te agora...mas não sei se queres que o meu corpo se envolva com o teu. E não o faço. Sempre o medo. Sempre. Mas queria o teu abraço agora. Neste instante. Como naquele dia. Um beijo quente como naquela tarde. Queria....
Olhas-me...como se me quizesses dar as respostas que sempre me recusaste. Como se finalmente quisesses falar...com essas ruguinhas em torno dos olhos, com essa ruguinha na testa que sempre gostei. Menino de rugas... Tu, sempre menino.
Eu vejo-te a chorar...mas sei que não estás aí nesse canto esperando o meu abraço. Sei que agora já nada esperas meu. nem o abraço, nem o beijo, nem a voz, nem o sorriso nem o cheiro. E nem tão pouco estás aí...são apenas os meus olhos que te querem ver. Uma vez mais. Uma só. A última. Ou estás? E queres tambem uma vez mais o que sou?
Mas sei porque choras.... sei que choras porque compreendes finalmente que te faço falta. Talvez nem seja saudade de mim...talvez seja saudade de nós ou de ti. Daquilo que eras comigo. Ou nunca foste?
Sabes agora (tarde demais) que jogaste fora tudo o quanto te dei. E dei-te tudo... tudo o quanto te podia dar. Mas não quiseste. É por saudade que choras...
Será? E saudade de quê?
E mais uma vez, por medo que me afastes uma e outra vez, não vou ao teu encontro para te dar aquele abraço. Talvez porque saiba que tudo se iria repetir. E é louco procurar o que sabemos que nos faz sofrer, não concordas?
Talvez tudo tenha sido em vão e só agora, que sei porque choras, me apercebo disso. Tenho pena. A história podia ter sido tão diferente. Quem não quiz? Eu ou tu? Quem fez o quê de errado?
Talvez eu...
Vi-te de uma forma que talvez nunca tenhas sido...talvez só mesmo eu te tenha visto assim porque precisava. Precisava acreditar que o amor pode ser possivel, que com ele vêm tantos tipos de amor....que as amizades podem ser coloridas e verdadeiras.
Mas vi tudo como precisava ver...e vi mal.
E tu, aí acocorado, choras...
Se soubesse que uma atitude minha podia mudar tudo, faria-a. Mas acho que já nada vale a pena. Que nesta história as personagens estão erradas. Que fazer? Mudamos de história ou de personagens?
Dizes-me?
Não, não dizes....como nunca disseste nada que precisasse ouvir...só mesmo naquele tempo em que te via como não eras.... só naquele tempo em que precisavas de algo meu ( que não sei o quê), só naquele tempo em que tinhas sempre uma voz, um cheiro, um sabor...
No tempo sem segredos, sem fingimento, sem mentiras...no tempo de horas de conversas intermináveis. No tempo do carinho que hoje não tenho. Que me faz falta. Muita. Tanta! Onde ficou esse carinho? Existiu verdadeiramente?
Queria o teu carinho outra vez. Hoje. Mas ele não vem. Talvez porque nesta história, tambem tu tenhas medo de perder o pé.... de saltar.
November 15

Sexo louco....


- Querida, logo podíamos...
- Logo? Que tal fazermos já o aquecimento?

Ah pois! Gostas pouco, gostas...
É que sexo, o do bom, não tem agenda. Não tem hora nem lugar. O sexo bom vai começando enquanto se faz o jantar, se passa a ferro, se lava a loiça, se coloca a roupa na máquina...é que haja imaginação que as posições são naturais. (talvez por isso digam as bocas correntes que são tarefas de mulher. Quer dizer, não são... mas que é meio caminho andado para mentes badalhocas, é.)
E se a ginástica cansa o corpo, o sexo revitaliza. E se os pais estão ali ao lado, temos que ir ao carro que está na garagem...só porque estamos com vontades selvagens.
E se vamos ao jantar de aniversário em casa de amigos, há pés que se descalçam e procuram.
E se fomos ao dentista, pode nem haver longos beijos de lingua nem broxes e mesmo assim ficamos com imensas opções à escolha.
Período? Isso é um pormenor. Que ambos estejam à vontade, na posição certa e com um pouco de cuidado tudo se resolve. Se bem que ficamos a parecer funcionários do talho.
Os lençóis sujos? Corpos pegajosos? Hum.... óptimo. Pela manhã um duche a dois e no quarto um cheiro a suor.
Dores de cabeça? Ha Ha Ha
Todos sabem que o sexo é o melhor remédio, portanto....
E se nas escadas a vizinha nos olha com aquele ar de carneiro mal morto, de enjoadinha, de sem sal, só porque não dormiu com o barulho que fizemos....paciencia! Que se tivesse juntado ao grupo ou tivesse feito o mesmo com o marido. Que culpa temos se ela faz parte do grupo do sexo normal?
Além disso, o olhar de inveja não nos incomoda, como não incomoda as filas de transito ou o mau humor do chefe ( que é o tal que anda a comer a secretária, marido da fanhosa com quem nos cruzámos na sescadas com ar esgazeado. O tal que combinou com ela darem uma na passagem do ano....só faltam 6 meses!)
E é claro que o sexo louco, por vezes, não acontece numa primeira vez. Nessa primeira vez há o medo de se fazer tudo errado. (as quecas de uma noite não contam, nessas não há medo de nada....)
Primeiro é preciso saber se o companheiro tambem é dado a esse tipo de sexo ( e rezar para que sim). É preciso saber até onde vai a loucura do outro. E quando se começa, não se quer mais parar. Não importa que daqui a pouco tenhamos que nos levantar para ir trabalhar.
O sexo louco vicia. E por vezes o sexo louco de louco não tem nada. Afinal é normal.
O sexo louco tem gemidos, respiração ofegante, tem riso, tem suor, tem palavras, tem vontade, tem pressa, tem tesão, tem gosto que gosto e sabor.
Não tem pudor nem vergonha. Deixa-nos livres.
O sexo louco é nas paredes, nas mesas, nas cadeiras, no sofá, no tapete, nos vãos de escada, no terraço, no elevador.
Os corpos buscam-se por natureza.... não se pergunta. Faz-se.
E agora que escrevo tudo isto, quer-me parecer que de longe, prefiro este grupo. Não querendo perder-me definitivamente do outro, do sexo normal....que tambem tem muito de sensualidade.
O grupo do sexo louco....quero este com mais frequencia. O dos felizes. O dos loucos. O dos que cansam o corpo para carregarem uma alma mais leve. O dos que rasgam a pele...que querem cravar os dedos numa pele que não a deles, por paixão, por amor, por insanidade...ou porque sim. O dos que trazem um sorriso tonto no rosto e que sonham acordados com imagens nuas....

7 minutos?? Nunca ouvi falar....

Sexo normal...


- Querida, logo podíamos....
- Hoje não. Tenho que passar a ferro.
- E amanhã?
- Nem penses, tenho que ir às compras e limpar a casa.
- E depois de amanhã?
- Pior. Tenho ginástica, chego cansada.
- E se for no final de semana?
- Não pode ser, estão cá os teus pais.
- E na próxima semana?
- Estou com o período.
- E no outro fim de semana?
- Aniversário em casa dos Antunes.
- E no próximo mês?
- Tenho dentista e vou ter dores de cabeça horriveis. Olha, na passagem de ano, que tal? Estamos em Junho, passa num instante.
Ele pensa: e na passagem de ano, que tal o divórcio?
Mas responde:
- Combinado. Mas é melhor anotares para não te esqueceres.
 
Na passagem de ano...
- Querida, é hoje....
- Não mereces porque te esqueceste do meu aniversário. Mas combinado é combinado. Vou só pôr a máquina a lavar ...outra vez. Deita-te que já vou. Visto a camisa para ser mais rápido, amanhã temos que acordar cedo para ir almoçar aos meus pais. E tem cuidado que hoje fui à cabeleireira. E vê lá, não podemos sujar os lençóis. E... vais-te lavar depois para não ficares assim todo pegajoso.

Quando ela finalmente chega à cama, já ele dorme...cansado que anda das trancadas com a secretária que não lhe dá descanso e a quem ofereceu o anel que tinha comprado para a esposa no seu aniversário.

Na verdade, enquanto não existe um compromisso, mesmo que um daqueles discreto, o sexo é muito mais espontaneo. Parece que há sempre vontade, que os pensamentos depressa se tornam pecaminosos, satânicos, urgentes.
Aquelas quecas rápidas, com hora marcada, silenciosas, no escuro....até podem ser boas. Mas uma vez por ano. Mais que isso chateia.
O tido como "sexo normal" por mais que digam que não...(que tal, comigo não é assim).... é o que acontece entre a maioria dos casais.
E já se sabe que se na cama as coisas não funcionam, tarde ou cedo deixa de funcionar tudo o resto. Digo eu que nada sei.
Juntamente a isto, está provado que num casal que mora junto, não só a média das relações é duas vezes por mês (e com sorte para alguns uma vez por semana), como o tempo médio é de 7 minutos. Os famosos 7 minutos...
O que quer dizer que é uma foda muito mal dada.
(Claro que eu, na situação em que estou bem posso dizer "quem me dera!")
Uma rapidinha, de vez em quando sabe bem. Mas atenção: de vez em quando.
Neste atraso, se me calha na rifa um assim, nem sei que faça...se brado aos céus ou se grito e como ameixas verdes. Que o diabo seja surdo, cego, mudo e paralítico.
Só peço que venha um que saiba aquelas técnicas todas malucas, me faça suar e desejar mais.
Portanto.... relações assim tão sérias, destas que fazem sentir que o prazo de validade do sexo já expirou, dispenso.
É por isso que não me sai da cabeça o namorado em part-time. Um que encontre de vez em quando para estar e partir no dia seguinte...mas tudo com uma espécie de amor à mistura, claro.
E bem qe podemos deixar-nos de merdas: que o sexo é importante e é bom que seja bom. Duvido que alguem duvide.
E por vezes, já se sabe que o sexo bom vem depois de um sexo daqueles mais.... como dizer.... normal.

Que me chamem depravada, mas sexo normal? Eu????
Nã...dispenso.
Prefiro o outro.... O louco.
November 14

Porque não...

porque nao...
 
 
Eu bem que podia ser lésbica. OK...possivelmente o peso da sociedade que me recriminaria não seria agradável... mas lá no fundo tem que existir coisas boas.
A principal é que podia levar as conquistas lá para casa que a mãmã não desconfiava. Já está habituada a ver as amigas que quase lutam por ocupar aquele lado da cama.
Tambem vejo algumas desvantagens.
Por exemplo: corria o risco de chegar a casa e apanhá-la a usar o MEU vibrador, a MINHA roupa interior, os MEUS cremes, perfumes e afins.
Mas sem duvida que vejo imensas vantagens.
- se a depilação estivesse a 10%, ela ia compreender. É normal que nem sempre nos apeteça ocupar o tempo livre a sofrer.
- não podia dar desculpas que não sabia passar a ferro, lavar roupa, louça, etc
- se estivesse na praia a gozar o sol, às seis da tarde não ia ouvir: querida vamos embora que vai dar o sporting
- nos dias de neura, ia entender que temos dias ruins e não ia fazer perguntas que quase nos fazem subir paredes.
- as sessões de sexo não deixavam os lençóis sujos de esperma.
- não precisava tomar a pilula
- depois das sessões de sexo tinha com quem conversar
- possivelmente tinha sempre companhia para as compras
- com paciencia ainda me ajudava a esticar o cabelo
- se lhe dissesse para me comprar pensos higiénicos, não ia ter como resposta: achas? que mau aspecto chegar à caixa com isso!
- podia dormir com o pijama polar azul estampado com ratinhos e meias de lã de ovelha. Se fosse homem, mesmo com 8º negativos tinha que fazer o esforço de vestir camisinha transparente e rendada... e o pobre ainda pensava que os mamilos duros era por estar excitada! Tadinhos...
- se tivesse na cama 3 edredons de aquecimento não ia reclamar
- se saisse à noite podíamos ir juntas ao wc da discoteca e talvez...
- as hipóteses de ser traída diminuiam drasticamente...visto que mulheres há muitas mas nem tantas para se deliciarem com outra mulher.
- com sorte, não precisava explicar que o ponto G existe e onde está
- saberia que o corpo tem muito mais que pede carícias...não é só a ..., o rabo e as mamas
- deviam existir poucos arrotos lá em casa e muito menos peidos de trovoada
- não teria super cola 3 entre a mão e o comando
- não assitia à degradação a vê-la coçar os tomates e cuspir para o chão
- não passava horas a jogar playstation ou a ver filmes de guerra
- e seria sensivel, talvez com aquela sensibilidade de pólen, que sabe quando erra e que além disso, reconhece-o (quem dera que os homens fossem assim)
- saber que, afinal, uma pila não faz assim tanta falta
 
 
 
 
 
 
 

Teóricamente...(interdito)

Teóricamente...(interdito)
 
 
 
Teóricamente morrerei aos 60 anos.
Claro que se não fumasse poderia esticar-me até aos 70, mas pensando bem, seriam 10 anos em que o corpo não responderia aos impulsos do cérebro...e nessa altura possivelmente o cérebro já nem existiria, pesar de saber que serei uma velhinha toda enchuta. É possivel que o meu unico neurónio sobrevivente não aguente tanto.
Teóricamente poderei ter Parkinson...o que me facilitava a vida: posso esconder os meus próprios ovos de Páscoa.
Supondo que me fique pelos 60, significa que estou precisamente a meio da minha vida.
Se for a pensar que durante estes anos restantes poderei ter uma vida ainda mais complicada, posso tirar 9 meses por gravidez (já que se vive num estado de tal graça que nada mais importa), posso tirar mais 8 meses, no mínimo (enquanto a criança não me deixa dormir),tiro 2 meses por estar com gripe (porque fico sem cabeça para mais nada), tiro 39 meses (credo, tanto!) em que estou com o período (dias em que nem me aguento a mim própria).
Isto quer dizer que aos 30 posso retirar quase 5 anos...faltam 25.
Tambem posso morrer a atravessar a passadeira. Pode cair-me um meteorito em cima. Ou mais: nos dias em que me dá na cabeça para ir para a auto estrada sentir adrenalina, posso bem ter um acidente de viação.
Quer dizer que é possivel que tenha muito menos tempo de vida do que imagino.
A ideia não me agrada muito. Posso dizer que não me agrada nada.
Na verdade são só uns míseros anos que tenho pela frente, com tudo por fazer. Não pode ser assim.
Ainda não vivi a vida que tenho, que é minha...é o que sinto. Que ainda nem sequer comecei a viver. E tenho pressa.
Não quero esperar...esperar o quê? Preciso nascer com urgência.
Quero sentir a vida a correr nas veias, sentir que pode não haver amanhã, que amanhã posso não acordar...e quem irá ler os meus livros?
Quem irá viver por mim os amores que podiam ser e não foram? Quem terminará todas as histórias que tenho por acabar?
Ninguem... esta vida é só minha. E hoje eu posso escolher qualquer caminho. Posso decidir sofrer ou amar de todas as formas possiveis...nas tantas formas de amar.
Preciso comemorar tanta coisa...
Tem que ser hoje. Tenho que dizer a quem gosto de verdade, que gosto de verdade. Tenho que deixar as palavras que estão presas, sairem.
Não me apetece sentir que ficou tudo por fazer...não quero isso.
Não quero adiar a vida em esperas inuteis. Se sou feliz assim, mesmo faltando tantas coisas, quero brindar, em forma de agradecimento.
Quero agradecer cada segundo que tenho ao meu dispôr, antes que a cortina se feche...antes que tudo termine.
E se esse ultimo dia for hoje?
O espaço voltará a ficar vazio, tal como estava antes de eu chegar. Alguem sentirá a ausência? Saudade?
E quando já não houver lembrança do que fui, quando já não houver memória, quando já ninguem sentir falta, aí sim...fica o espaço. O vazio.
Quando partir, toda a vida continua...sem mim. Mas enquanto cá estiver quero encher este vazio de mim, de tudo aquilo que sou.
Mas não quero mudar nada . Quero ser este emaranhado de confusões, porque gosto. Quero continuara a rir daquilo que sinto, que penso, que sou...a rir-me de mim. A ver sempre o lado mais cómico de tudo, tirar proveito das coisas mais não seja para aprender. Continuar a acreditar que não há más experiencias.
Quero continuar a acreditar no melhor das pessoas.
E quero, acima de tudo, sentir sinceridade nas palavras. Isso sim, é o meu objectivo. E sei que vou conseguir. Haverá um olhar que me dirá que sim, que há verdade nas palavras. Que as palavras nem sempre são vãs. Que podem ser sentidas e intemporais.
E vamos combinar? É preferível ter uma puta de vida que uma vida de puta. A vida é ingrata? Que se fo**! Eu estou viva! E nem vale a pena pensar no que poderia ser...faltará sempre alguma coisa.

Quero viver todos os amores... todos.
Quero viver todas as loucuras e sentir a pele que se rasga, por amor. Não vou perder para só depois sentir a falta. Não terei no sexo o consolo, só porque me falta um grande amor. Eu tenho tantos pequenos grandes amores... e vou dizê-lo.
Cada coisa a seu tempo... antes de existir fruto, houve uma flor.
 
 
 
 
November 13

Fim-de-semana

Fim de semana...
O fim de semana foi estranho...
Saí com um grupo tão parado que às 2.30 da manhã decidi ir embora...que merda.
Logo naqueles instantes em que até estava a saber tão bem...que estava a cansar o corpo e a dar descanso à alma... mas cansei de olhar para aquelas caras de quem nem fode nem sai de cima.
Não há nada pior que se ter espirito e estarmos acompanhados por monos..!
Voltarei outras vezes, mas não com eles...e para piorar um deles que conheço mal, soube depois, que confunde atenção com amizade ou amor...e ficamos numa situação complicada.
Quando ele no domingo me telefona para ir tomar café, descartei-me logo. Era o que me faltava, mais um problema...um maluco qualquer que se apaixona só porque lhe disse : olá, tudo bem? Credo, cruzes canhoto! Que o diabo seja surdo, cego, mudo e paralítico!!!!
Mas enquanto lá estive, aproveitei. Dancei até me sentir cansada, tanto mais que eram musicas latinas e eu perco-me...
E depois ainda veio um espanholito lançar papaias, tadinho...mas foi engraçado. Tal não devia ser a bebedeira do homem para dizer que eu era a mais bonita e que era quem dançava melhor...o que o álcool faz à visão.
Mas a verdade é que estas coisas me fazem sempre um pouco de confusão. Se ele não tivesse falado comigo, nem me dava conta da presença dele... quem diz que as louras são distraidas não me conhece.
Depois, claro, fico aqui neste atraso... e nem posso dizer que não tenho oportunidades, mas não sei, há qualquer coisa que me escapa.
As outras reparam quem está, onde estão os charmosos, os bonitos, os de corpo bem torneado...eu fico contente por saber onde fica o bar e as casas de banho.
Elas acabam agarradas a um marmanjo qualquer e eu agarrada à minha smirnof.
Alguma coisa está mal...e começo a pensar que sou eu.
Mas eu lá era capaz de me pôr ali aos amassos com alguem que nem fixei bem o nome? Ou dar uma queca com alguem que nem está com lucidez suficiente para colocar um preservativo?
Não sou capaz. Pode até ser homem muito bem apessoado, charmoso, divertido, etc...mas preciso saber mais. Sentir mais.
Enfim, sou assim, que posso fazer? Que ninguem me condene, já bastam as amigas que não param de dizer:
- Olha aquele, não tira os olhos de ti, até baba.
November 12

Zoosociedade...

Ok, sou fumadora. Sei-o eu e meio planeta. E já sei que faz mal, mas garanto que aturo coisas e gentinha que me faz bem pior ao sistema e cá me aguento à bronca.
E tambem sei que pode diminuir os anos de vida, mas deixem-se dessas merdas porque cá para mim, morrer aos 80 ou aos 72 não deve fazer muita diferença a essa altura da vida.
E tambem sei que é dinheiro muito mal gasto, mas fonha-se, deixem-me ter algum prazer na vida.
Um dia, se decidir, deixo o vicio e pronto. Alem do mais, não conheço ninguem que não tenha vicios. E se existe alguem, deve ser uma couvinha sem soda, sem gracinha nenhuma. 

PB090023[1]

E posso dizer que não acho muita graça em deixarem de lado os fumadores, favorecendo os não fumadores.
Se uns têm direito, os outros também. Creio que li algures que todos os cidadãos são iguais perante a lei. Eu até podia acrescentar: "desde que tenham dinheiro". Mas isso são histórias longas demais e hoje não me apetece.
Mas tambem sei que não há lugares publicos com capacidade para terem o espaço dividido.
No fundo, todos os lugares passam a ter lugar para fumadores. Ou seja, na rua.
Muito bem...

Isto vai num bom caminho.
Não é proibido fumar, certo? Claro... aquilo que os parvos como eu deixam nos cofres do estado à conta do tabaco, nenhum politico seria estupido para proibir a venda, mas para se armarem em muito inteligentes é começar a proibir que o façam em lugares publicos.

Uma cambada de hipócritas.

Mas a surpresa é abrir um maço de tabaco e ver isto... que é como quem diz:
Sim, fumar mata. Mas obrigado por escolheres o nosso tabaco para te matares.

Ele há lá com cada um!