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29 novembre Em noites frias...Só queria ter umas mãos, que devagar, me percorressem o corpo numa massagem lenta, quente, sensual...
Em noites assim, em que sei que o frio está lá fora, e o corpo nu, deitado, tão quente... Em noites assim, que apetece o sexo desvairado e louco nos lençois... Que se deseja tanto um corpo colado ao nosso, suados...misturados em odores e sabores, em saliva em pele e em alma...em beijos e toques que arrepiam a pele, que a fazem gritar no silencio da noite....assim, enquanto a musica nos faz sonhar...you now the way... E esta cama, tão imensa...tão vazia. Este silêncio sem vozes nem sorrisos. E eu aqui tão imensa, tão vazia. Tão sem a outra parte, a que faz despertar o desejo que me consome nas noites frias, como esta. A parte satânica da alma que desfaz o corpo quando se deseja apenas outro corpo em nós... Como confissão: hoje é uma daquelas noites em que apetecia mesmo.... Está aí alguem? 28 novembre Descobertas...No pico da noite escura os corpos em silêncio procuram-se. Só porque sim.
Margens de um rio. O banco traseiro do carro... Olhares que se cruzam sem permanecer, que percorrem milimetros de pele...mãos que despenteiam que deslizam que percorrem que querem conhecer. Ou que já conhecem. Espaços apertados. É por isso que é intenso... Corpos colados suados. Gemidos que se libertam que se prendem. Corpos que se agarram que escorregam que se querem. Respiração ofegante. Sexos molhados. Deixa-me sentar no teu colo, sabe tão bem assim.... o teu deslizar em mim... o ver-te. O abraço. O prazer. Pele que queima com pele...o simples tocar de pele. Sexo que esgota. Corpos contorcidos na busca de um limite de prazer, da entrega. Noites quentes. Corpos que roçam para que possam quem sabe chegar... Espaços que obrigam a estarmos tão perto. Ou juntos separados. Espaços que no chamego nos fazem desejar muito mais... Linguas que lambem que deslizam. Unhas que cravam que ferem que desejam. Corpos que se rasgam que se enterram que se entregam. Bocas que procuram no escuro e no silencio. O doce deslizar de mãos nas costas... a pele que escorrega e arrepia... o êxtase do prazer contido. Corpos que repousam e se olham num sorrir timido. Marcas na pele. Almas que se elevam e que podem descansar. O dia que vai amanhecendo...
23 novembre A noite vem vindo de longe...21 novembre Pequenos desejos...
Ficar à lareira entre braços e amassos. Ouvindo uma musica a tocar baixinho e deixar os sentidos se libertarem devagar. Soltar amarras e procurar o teu corpo, desejando um chamego que queime ou que faça acalmar a chama do peito.
Transformar as noites frias de outono em desejos profanos, em luxuria, em prazer, em pecado, em paraíso, em sedução, em loucura, em sonho, em instinto, em essência, em excitação, em paixão, em êxtase, em delírios, em beijos, em cheiro de pele, em arrepios, em versos e reversos de corpos e almas que na entrega encontram paz... E tirar cada peça de roupa perante ti, ficando assim, completamente nua...
Sentir as tuas mãos cheias de tudo o que é meu... cheias de pele, de saliva, de nádegas, de sexo, de suor...
Deixarmo-nos levar por fantasias... embarcar em delicias de sabores que se misturam com carne e com prazer..
.E sentir o calor da tua boca em cara pedacinho de mim, em misturas de corpos que não se sabe onde
começam nem onde terminam. Em toques quentes que causam arrepio, sabes?
Deslizar pelo teu peito, descendo e provando cada recanto teu. Abocanhar-te o sexo, com lingua desejo e vontade, saboreando...
Puxares-me com força contra ti...
Entrares em mim devagar...
E descansar depois, com o corpo colado ao teu, em camas de lençóis claros...deixando na pele a marca e na memória o cheiro de dias assim. Dias que passaram devagar, mesmo com a chuva a cair lá fora, incessantemente...
Como confissão: há desejos tão simples, não há? E porque serão então, tão dificeis de realizar? Creio que sou eu... talvez tenha deixado de acreditar que possa haver por aí algures um homem que possa dizer-se feliz comigo, concretizando desejos tão banais. Um homem que tenha coragem para enfrentar o mundo lutando pelo que quer e a sinceridade para dizer o que sente. Talvez seja pedir demais... que alguem goste verdadeiramente de nós. 16 novembre E tu lembras-te?E tu, lembras-te?
Quando acordei já não estavas cá. Alguma vez estiveste? Mas o teu cheiro ainda percorre o quarto inundado por uma luz que não queria ver, nem sentir. Ao longe consigo ouvir o som da água a correr. Talvez te tenhas levantado e estejas no duche....ou sou eu que quero que seja assim? Não importa.... Por momentos fecho os olhos, talvez tenha adormecido. Acordo (outra vez?) com um cheiro a perfume (o teu)... ainda estás aqui perto. Não me apetece mexer para te procurar. Não gosto de procurar, gosto de encontrar ou que me encontrem...
Gostava que chegasses aqui de mansinho (como sempre) me desses um beijo querendo despertar-me e me dissesses: - Marta....acorda. Mesmo que eu já estivesse acordada. Sim, esse beijo agora sabia bem. Talvez neste instante fosse apenas o que preciso. Que estranho.... precisar assim tanto de um beijo! Passam minutos num relógio que faz tic tac... e deixo de ter o cheiro do teu perfume (sempre tu. Em tudo), de ter o teu cheiro no quarto...já não ouço sons de água que corre....já não ouço nada. O que se passa? Onde estás?
Levanto-me para te procurar. Será agora tarde demais? Logo eu que nunca te procurei....
E não te encontro. Estás em lado nenhum. Perdeste-te? Ou fui eu que te perdi? Talvez me tenha perdido a mim... Quero lembrar-me de ti....e preciso esforçar-me para recordar cada pormenor do teu rosto. Mas esta noite estiveste comigo. Lembras-te? Ou não estiveste? Terá sido esta ou há quatro meses atrás e tudo me parece recente? Diz-me, tu lembras-te? Lembras? Diz-me.... não quero ficar com esta pergunta sem resposta. Alguma vez estiveste aqui comigo? Os corredores são tão longos, custa-me pronunciar o teu nome...talvez porque dizê-lo ainda doa muito, doa demasiado.
As paredes não têm a luz de um sol quente que brilha lá fora. Onde estou? E encontro-te.
Dobrado sobre o teu próprio corpo, num canto escuro de uma sala imensa...a chorar. Vejo-te assim tão pequenino...lembrava-me de ti como um ser imenso e especial. E és...ainda és. Aqui neste silêncio posso dizê-lo. Ninguem me ouve. Tenho medo que alguem ouça...tenho medo que tu ouças. O medo. Sempre. Mas o teu corpo, as tuas mãos com que escondes o rosto, os ombros com curvas quase perfeitas, igual. Como me lembro. Alguma vez foi assim?.... É neste instante que queria retomar todos os meus passos de volta a um passado. Até a um momento em que te quiz abraçar e dar a mão e não o fiz com medo que estranhasses... é sempre este medo. O medo de agir, de fazer...e depois, mais tarde, querer repetir, para quem sabe fazer tudo como deve ser feito. Haverá outra forma de fazer as coisas? Quero mergulhar num mar de água fria, gelar o corpo, a mente para que não lembre. Quero sair e ter o teu abraço, aquele que dizias ser o começo de tudo. Aquele abraço que quebra o gelo que tenho em mim, que me faz acreditar, que me faz soluçar baixinho, no silencio. Que me faz sentir o cheiro do teu peito com sabor a eternidade. Mas isso não existe pois não? Nem o teu peito, nem o cheiro, nem eternidade. E o amor? Será que existe?
Poderia abraçar-te agora...mas não sei se queres que o meu corpo se envolva com o teu. E não o faço. Sempre o medo. Sempre. Mas queria o teu abraço agora. Neste instante. Como naquele dia. Um beijo quente como naquela tarde. Queria....
Olhas-me...como se me quizesses dar as respostas que sempre me recusaste. Como se finalmente quisesses falar...com essas ruguinhas em torno dos olhos, com essa ruguinha na testa que sempre gostei. Menino de rugas... Tu, sempre menino.
Eu vejo-te a chorar...mas sei que não estás aí nesse canto esperando o meu abraço. Sei que agora já nada esperas meu. nem o abraço, nem o beijo, nem a voz, nem o sorriso nem o cheiro. E nem tão pouco estás aí...são apenas os meus olhos que te querem ver. Uma vez mais. Uma só. A última. Ou estás? E queres tambem uma vez mais o que sou?
Mas sei porque choras.... sei que choras porque compreendes finalmente que te faço falta. Talvez nem seja saudade de mim...talvez seja saudade de nós ou de ti. Daquilo que eras comigo. Ou nunca foste? Sabes agora (tarde demais) que jogaste fora tudo o quanto te dei. E dei-te tudo... tudo o quanto te podia dar. Mas não quiseste. É por saudade que choras... Será? E saudade de quê? E mais uma vez, por medo que me afastes uma e outra vez, não vou ao teu encontro para te dar aquele abraço. Talvez porque saiba que tudo se iria repetir. E é louco procurar o que sabemos que nos faz sofrer, não concordas?
Talvez tudo tenha sido em vão e só agora, que sei porque choras, me apercebo disso. Tenho pena. A história podia ter sido tão diferente. Quem não quiz? Eu ou tu? Quem fez o quê de errado?
Talvez eu... Vi-te de uma forma que talvez nunca tenhas sido...talvez só mesmo eu te tenha visto assim porque precisava. Precisava acreditar que o amor pode ser possivel, que com ele vêm tantos tipos de amor....que as amizades podem ser coloridas e verdadeiras. Mas vi tudo como precisava ver...e vi mal. E tu, aí acocorado, choras...
Se soubesse que uma atitude minha podia mudar tudo, faria-a. Mas acho que já nada vale a pena. Que nesta história as personagens estão erradas. Que fazer? Mudamos de história ou de personagens? Dizes-me? Não, não dizes....como nunca disseste nada que precisasse ouvir...só mesmo naquele tempo em que te via como não eras.... só naquele tempo em que precisavas de algo meu ( que não sei o quê), só naquele tempo em que tinhas sempre uma voz, um cheiro, um sabor... No tempo sem segredos, sem fingimento, sem mentiras...no tempo de horas de conversas intermináveis. No tempo do carinho que hoje não tenho. Que me faz falta. Muita. Tanta! Onde ficou esse carinho? Existiu verdadeiramente? Queria o teu carinho outra vez. Hoje. Mas ele não vem. Talvez porque nesta história, tambem tu tenhas medo de perder o pé.... de saltar. 15 novembre Sexo louco....- Querida, logo podíamos... - Logo? Que tal fazermos já o aquecimento? Ah pois! Gostas pouco, gostas... É que sexo, o do bom, não tem agenda. Não tem hora nem lugar. O sexo bom vai começando enquanto se faz o jantar, se passa a ferro, se lava a loiça, se coloca a roupa na máquina...é que haja imaginação que as posições são naturais. (talvez por isso digam as bocas correntes que são tarefas de mulher. Quer dizer, não são... mas que é meio caminho andado para mentes badalhocas, é.) E se a ginástica cansa o corpo, o sexo revitaliza. E se os pais estão ali ao lado, temos que ir ao carro que está na garagem...só porque estamos com vontades selvagens.
E se vamos ao jantar de aniversário em casa de amigos, há pés que se descalçam e procuram. E se fomos ao dentista, pode nem haver longos beijos de lingua nem broxes e mesmo assim ficamos com imensas opções à escolha. Período? Isso é um pormenor. Que ambos estejam à vontade, na posição certa e com um pouco de cuidado tudo se resolve. Se bem que ficamos a parecer funcionários do talho. Os lençóis sujos? Corpos pegajosos? Hum.... óptimo. Pela manhã um duche a dois e no quarto um cheiro a suor. Dores de cabeça? Ha Ha Ha Todos sabem que o sexo é o melhor remédio, portanto.... E se nas escadas a vizinha nos olha com aquele ar de carneiro mal morto, de enjoadinha, de sem sal, só porque não dormiu com o barulho que fizemos....paciencia! Que se tivesse juntado ao grupo ou tivesse feito o mesmo com o marido. Que culpa temos se ela faz parte do grupo do sexo normal?
Além disso, o olhar de inveja não nos incomoda, como não incomoda as filas de transito ou o mau humor do chefe ( que é o tal que anda a comer a secretária, marido da fanhosa com quem nos cruzámos na sescadas com ar esgazeado. O tal que combinou com ela darem uma na passagem do ano....só faltam 6 meses!) E é claro que o sexo louco, por vezes, não acontece numa primeira vez. Nessa primeira vez há o medo de se fazer tudo errado. (as quecas de uma noite não contam, nessas não há medo de nada....)
Primeiro é preciso saber se o companheiro tambem é dado a esse tipo de sexo ( e rezar para que sim). É preciso saber até onde vai a loucura do outro. E quando se começa, não se quer mais parar. Não importa que daqui a pouco tenhamos que nos levantar para ir trabalhar. O sexo louco vicia. E por vezes o sexo louco de louco não tem nada. Afinal é normal. O sexo louco tem gemidos, respiração ofegante, tem riso, tem suor, tem palavras, tem vontade, tem pressa, tem tesão, tem gosto que gosto e sabor. Não tem pudor nem vergonha. Deixa-nos livres. O sexo louco é nas paredes, nas mesas, nas cadeiras, no sofá, no tapete, nos vãos de escada, no terraço, no elevador.
Os corpos buscam-se por natureza.... não se pergunta. Faz-se.
E agora que escrevo tudo isto, quer-me parecer que de longe, prefiro este grupo. Não querendo perder-me definitivamente do outro, do sexo normal....que tambem tem muito de sensualidade.
O grupo do sexo louco....quero este com mais frequencia. O dos felizes. O dos loucos. O dos que cansam o corpo para carregarem uma alma mais leve. O dos que rasgam a pele...que querem cravar os dedos numa pele que não a deles, por paixão, por amor, por insanidade...ou porque sim. O dos que trazem um sorriso tonto no rosto e que sonham acordados com imagens nuas.... 7 minutos?? Nunca ouvi falar.... Sexo normal...- Querida, logo podíamos.... - Hoje não. Tenho que passar a ferro. - E amanhã? - Nem penses, tenho que ir às compras e limpar a casa. - E depois de amanhã? - Pior. Tenho ginástica, chego cansada. - E se for no final de semana? - Não pode ser, estão cá os teus pais. - E na próxima semana? - Estou com o período. - E no outro fim de semana? - Aniversário em casa dos Antunes. - E no próximo mês? - Tenho dentista e vou ter dores de cabeça horriveis. Olha, na passagem de ano, que tal? Estamos em Junho, passa num instante. Ele pensa: e na passagem de ano, que tal o divórcio?
Mas responde: - Combinado. Mas é melhor anotares para não te esqueceres. Na passagem de ano...
- Querida, é hoje.... - Não mereces porque te esqueceste do meu aniversário. Mas combinado é combinado. Vou só pôr a máquina a lavar ...outra vez. Deita-te que já vou. Visto a camisa para ser mais rápido, amanhã temos que acordar cedo para ir almoçar aos meus pais. E tem cuidado que hoje fui à cabeleireira. E vê lá, não podemos sujar os lençóis. E... vais-te lavar depois para não ficares assim todo pegajoso. Quando ela finalmente chega à cama, já ele dorme...cansado que anda das trancadas com a secretária que não lhe dá descanso e a quem ofereceu o anel que tinha comprado para a esposa no seu aniversário. Na verdade, enquanto não existe um compromisso, mesmo que um daqueles discreto, o sexo é muito mais espontaneo. Parece que há sempre vontade, que os pensamentos depressa se tornam pecaminosos, satânicos, urgentes. Aquelas quecas rápidas, com hora marcada, silenciosas, no escuro....até podem ser boas. Mas uma vez por ano. Mais que isso chateia. O tido como "sexo normal" por mais que digam que não...(que tal, comigo não é assim).... é o que acontece entre a maioria dos casais. E já se sabe que se na cama as coisas não funcionam, tarde ou cedo deixa de funcionar tudo o resto. Digo eu que nada sei. Juntamente a isto, está provado que num casal que mora junto, não só a média das relações é duas vezes por mês (e com sorte para alguns uma vez por semana), como o tempo médio é de 7 minutos. Os famosos 7 minutos...
O que quer dizer que é uma foda muito mal dada. (Claro que eu, na situação em que estou bem posso dizer "quem me dera!") Uma rapidinha, de vez em quando sabe bem. Mas atenção: de vez em quando. Neste atraso, se me calha na rifa um assim, nem sei que faça...se brado aos céus ou se grito e como ameixas verdes. Que o diabo seja surdo, cego, mudo e paralítico.
Só peço que venha um que saiba aquelas técnicas todas malucas, me faça suar e desejar mais.
Portanto.... relações assim tão sérias, destas que fazem sentir que o prazo de validade do sexo já expirou, dispenso. É por isso que não me sai da cabeça o namorado em part-time. Um que encontre de vez em quando para estar e partir no dia seguinte...mas tudo com uma espécie de amor à mistura, claro. E bem qe podemos deixar-nos de merdas: que o sexo é importante e é bom que seja bom. Duvido que alguem duvide.
E por vezes, já se sabe que o sexo bom vem depois de um sexo daqueles mais.... como dizer.... normal. Que me chamem depravada, mas sexo normal? Eu???? Nã...dispenso. Prefiro o outro.... O louco. 14 novembre Porque não...Eu bem que podia ser lésbica. OK...possivelmente o peso da sociedade que me recriminaria não seria agradável... mas lá no fundo tem que existir coisas boas.
A principal é que podia levar as conquistas lá para casa que a mãmã não desconfiava. Já está habituada a ver as amigas que quase lutam por ocupar aquele lado da cama. Tambem vejo algumas desvantagens.
Por exemplo: corria o risco de chegar a casa e apanhá-la a usar o MEU vibrador, a MINHA roupa interior, os MEUS cremes, perfumes e afins. Mas sem duvida que vejo imensas vantagens.
- se a depilação estivesse a 10%, ela ia compreender. É normal que nem sempre nos apeteça ocupar o tempo livre a sofrer. - não podia dar desculpas que não sabia passar a ferro, lavar roupa, louça, etc - se estivesse na praia a gozar o sol, às seis da tarde não ia ouvir: querida vamos embora que vai dar o sporting - nos dias de neura, ia entender que temos dias ruins e não ia fazer perguntas que quase nos fazem subir paredes. - as sessões de sexo não deixavam os lençóis sujos de esperma. - não precisava tomar a pilula - depois das sessões de sexo tinha com quem conversar - possivelmente tinha sempre companhia para as compras - com paciencia ainda me ajudava a esticar o cabelo - se lhe dissesse para me comprar pensos higiénicos, não ia ter como resposta: achas? que mau aspecto chegar à caixa com isso! - podia dormir com o pijama polar azul estampado com ratinhos e meias de lã de ovelha. Se fosse homem, mesmo com 8º negativos tinha que fazer o esforço de vestir camisinha transparente e rendada... e o pobre ainda pensava que os mamilos duros era por estar excitada! Tadinhos... - se tivesse na cama 3 edredons de aquecimento não ia reclamar - se saisse à noite podíamos ir juntas ao wc da discoteca e talvez... - as hipóteses de ser traída diminuiam drasticamente...visto que mulheres há muitas mas nem tantas para se deliciarem com outra mulher. - com sorte, não precisava explicar que o ponto G existe e onde está - saberia que o corpo tem muito mais que pede carícias...não é só a ..., o rabo e as mamas - deviam existir poucos arrotos lá em casa e muito menos peidos de trovoada - não teria super cola 3 entre a mão e o comando - não assitia à degradação a vê-la coçar os tomates e cuspir para o chão - não passava horas a jogar playstation ou a ver filmes de guerra - e seria sensivel, talvez com aquela sensibilidade de pólen, que sabe quando erra e que além disso, reconhece-o (quem dera que os homens fossem assim) - saber que, afinal, uma pila não faz assim tanta falta Teóricamente...(interdito)Teóricamente morrerei aos 60 anos.
Claro que se não fumasse poderia esticar-me até aos 70, mas pensando bem, seriam 10 anos em que o corpo não responderia aos impulsos do cérebro...e nessa altura possivelmente o cérebro já nem existiria, pesar de saber que serei uma velhinha toda enchuta. É possivel que o meu unico neurónio sobrevivente não aguente tanto. Teóricamente poderei ter Parkinson...o que me facilitava a vida: posso esconder os meus próprios ovos de Páscoa. Supondo que me fique pelos 60, significa que estou precisamente a meio da minha vida.
Se for a pensar que durante estes anos restantes poderei ter uma vida ainda mais complicada, posso tirar 9 meses por gravidez (já que se vive num estado de tal graça que nada mais importa), posso tirar mais 8 meses, no mínimo (enquanto a criança não me deixa dormir),tiro 2 meses por estar com gripe (porque fico sem cabeça para mais nada), tiro 39 meses (credo, tanto!) em que estou com o período (dias em que nem me aguento a mim própria). Isto quer dizer que aos 30 posso retirar quase 5 anos...faltam 25.
Tambem posso morrer a atravessar a passadeira. Pode cair-me um meteorito em cima. Ou mais: nos dias em que me dá na cabeça para ir para a auto estrada sentir adrenalina, posso bem ter um acidente de viação.
Quer dizer que é possivel que tenha muito menos tempo de vida do que imagino. A ideia não me agrada muito. Posso dizer que não me agrada nada.
Na verdade são só uns míseros anos que tenho pela frente, com tudo por fazer. Não pode ser assim. Ainda não vivi a vida que tenho, que é minha...é o que sinto. Que ainda nem sequer comecei a viver. E tenho pressa. Não quero esperar...esperar o quê? Preciso nascer com urgência.
Quero sentir a vida a correr nas veias, sentir que pode não haver amanhã, que amanhã posso não acordar...e quem irá ler os meus livros? Quem irá viver por mim os amores que podiam ser e não foram? Quem terminará todas as histórias que tenho por acabar? Ninguem... esta vida é só minha. E hoje eu posso escolher qualquer caminho. Posso decidir sofrer ou amar de todas as formas possiveis...nas tantas formas de amar.
Preciso comemorar tanta coisa... Tem que ser hoje. Tenho que dizer a quem gosto de verdade, que gosto de verdade. Tenho que deixar as palavras que estão presas, sairem. Não me apetece sentir que ficou tudo por fazer...não quero isso. Não quero adiar a vida em esperas inuteis. Se sou feliz assim, mesmo faltando tantas coisas, quero brindar, em forma de agradecimento.
Quero agradecer cada segundo que tenho ao meu dispôr, antes que a cortina se feche...antes que tudo termine. E se esse ultimo dia for hoje? O espaço voltará a ficar vazio, tal como estava antes de eu chegar. Alguem sentirá a ausência? Saudade? E quando já não houver lembrança do que fui, quando já não houver memória, quando já ninguem sentir falta, aí sim...fica o espaço. O vazio. Quando partir, toda a vida continua...sem mim. Mas enquanto cá estiver quero encher este vazio de mim, de tudo aquilo que sou. Mas não quero mudar nada . Quero ser este emaranhado de confusões, porque gosto. Quero continuara a rir daquilo que sinto, que penso, que sou...a rir-me de mim. A ver sempre o lado mais cómico de tudo, tirar proveito das coisas mais não seja para aprender. Continuar a acreditar que não há más experiencias.
Quero continuar a acreditar no melhor das pessoas. E quero, acima de tudo, sentir sinceridade nas palavras. Isso sim, é o meu objectivo. E sei que vou conseguir. Haverá um olhar que me dirá que sim, que há verdade nas palavras. Que as palavras nem sempre são vãs. Que podem ser sentidas e intemporais. E vamos combinar? É preferível ter uma puta de vida que uma vida de puta. A vida é ingrata? Que se fo**! Eu estou viva! E nem vale a pena pensar no que poderia ser...faltará sempre alguma coisa.
Quero viver todos os amores... todos. Quero viver todas as loucuras e sentir a pele que se rasga, por amor. Não vou perder para só depois sentir a falta. Não terei no sexo o consolo, só porque me falta um grande amor. Eu tenho tantos pequenos grandes amores... e vou dizê-lo. Cada coisa a seu tempo... antes de existir fruto, houve uma flor. 13 novembre Fim-de-semanaFim de semana...
O fim de semana foi estranho... Saí com um grupo tão parado que às 2.30 da manhã decidi ir embora...que merda. Logo naqueles instantes em que até estava a saber tão bem...que estava a cansar o corpo e a dar descanso à alma... mas cansei de olhar para aquelas caras de quem nem fode nem sai de cima. Não há nada pior que se ter espirito e estarmos acompanhados por monos..! Voltarei outras vezes, mas não com eles...e para piorar um deles que conheço mal, soube depois, que confunde atenção com amizade ou amor...e ficamos numa situação complicada. Quando ele no domingo me telefona para ir tomar café, descartei-me logo. Era o que me faltava, mais um problema...um maluco qualquer que se apaixona só porque lhe disse : olá, tudo bem? Credo, cruzes canhoto! Que o diabo seja surdo, cego, mudo e paralítico!!!! Mas enquanto lá estive, aproveitei. Dancei até me sentir cansada, tanto mais que eram musicas latinas e eu perco-me...
E depois ainda veio um espanholito lançar papaias, tadinho...mas foi engraçado. Tal não devia ser a bebedeira do homem para dizer que eu era a mais bonita e que era quem dançava melhor...o que o álcool faz à visão. Mas a verdade é que estas coisas me fazem sempre um pouco de confusão. Se ele não tivesse falado comigo, nem me dava conta da presença dele... quem diz que as louras são distraidas não me conhece.
Depois, claro, fico aqui neste atraso... e nem posso dizer que não tenho oportunidades, mas não sei, há qualquer coisa que me escapa. As outras reparam quem está, onde estão os charmosos, os bonitos, os de corpo bem torneado...eu fico contente por saber onde fica o bar e as casas de banho. Elas acabam agarradas a um marmanjo qualquer e eu agarrada à minha smirnof. Alguma coisa está mal...e começo a pensar que sou eu. Mas eu lá era capaz de me pôr ali aos amassos com alguem que nem fixei bem o nome? Ou dar uma queca com alguem que nem está com lucidez suficiente para colocar um preservativo? Não sou capaz. Pode até ser homem muito bem apessoado, charmoso, divertido, etc...mas preciso saber mais. Sentir mais. Enfim, sou assim, que posso fazer? Que ninguem me condene, já bastam as amigas que não param de dizer: - Olha aquele, não tira os olhos de ti, até baba. 12 novembre Zoosociedade...Ok, sou fumadora. Sei-o eu e meio planeta. E já sei que faz mal, mas garanto que aturo coisas e gentinha que me faz bem pior ao sistema e cá me aguento à bronca. E posso dizer que não acho muita graça em deixarem de lado os fumadores, favorecendo os não fumadores. Isto vai num bom caminho. Uma cambada de hipócritas. Mas a surpresa é abrir um maço de tabaco e ver isto... que é como quem diz: Ele há lá com cada um! 9 novembre Memorias...para partilharO pôr do sol mais intenso que me recordo de assistir. Talvez porque cá dentro estava tudo arrumadinho, gavetas fechadas, pronta para mais uns quantos encontrões da vida. Talvez porque o momento era tranquilo, e a beleza está sempre nos olhos de quem vê. Talvez...
Talvez porque mesmo querendo deixar pelo caminho todos os amores de uma vida, acabamos sempre por carregá-los connosco e eles, cá de dentro de nós, acabam por ser a nossa companhia para dividirem connosco toda a beleza que a vida contém. Talvez porque há este fascínio pelo mar... por acreditar sempre que quando vaza a maré, toda a nossa dor foi para longe e nos sentimos prontos. Pronta para recomeçar mesmo que nem se saiba muito bem o quê. O momento de saber que chegou a hora de partir, depois de ver toda a minha vida de longe e de acreditar que afinal, não seria tão ruim quanto me parecia no momento em que aqui cheguei. Afinal ainda sou capaz. Capaz de lamber feridas, curar da melhor forma que sei, levantar, sacudir poeira, seguir em frente, por mais terrivel que tenha sido a minha dor. Afinal ainda sou capaz... Creio que deixei neste mar toda a mágoa. Talvez hoje, agora, que já parti e já cheguei, sinta tudo de forma muito mais leve. Para quê guardar as palavras em nós? De que valem? Para quê falar de ódio quando só se quer falar de amor...
Como confissão: neste banco, sentada na beira da falésia enquanto o sol se despedia baixinho dando a certeza que amanhã voltaria e que tudo ficaria melhor, lembrei de todos vós. Pensei que era isto que tinha de partilhar com todos aqueles que aqui vêm. Esta sou eu. É nisto que me revejo, que faz parte de mim nas horas em que me procuro cá por dentro. Momentos para mim tão intensos, coisas tão simples como um pôr do sol na beira da falésia...em que é tão fácil simplesmente cair. É assim que se comemora a vida, com um brinde. E nesse brinde que fiz a cada um de vós, mesmo estando só, desejei que cada um encontrasse o seu lugar por tudo o que ao longo destes dias partilharam comigo. Estiveram aí, dividimos e multiplicámos tanto daquilo que faz parte de mim. O meu agradecimento... 7 novembre Outras mãos...O desejo é assim... enquanto não se satisfaz, consome-nos.
As noites parecem sempre longas e quentes....o corpo grita sem ser ouvido.
E a alma, essa só implora por outras mãos que percorram cada pedacinho da pele suada, que arde.
E a pele, essa só suplica por prazer, tacteia no escuro. Sem encontrar... A boca que só procura um travo diferente de saliva.... E os olhos que só querem outros olhos para que se possam fechar. As mãos que querem agarrar a carne com cheiro a sexo que fica preso nelas em cada despedida...
E o sexo que se quer unir a outro sexo sempre que a vontade ressuscita... 6 novembre Em delilio no meu pensamentoO cair do pano...Aprontei-me para não chegar tarde. Queria ficar perto do palco, para te ver.
Cá por dentro, um medo de que erasses os passos ou que não acompanhasses as meninas que já são mais velhas que tu. Mas não... todo o espectaculo e eu ali, a sair-me orgulho por todos os poros, uma tia babada. Tu com um vestidinho cor de rosa, como as princesas dos contos de fadas, eu a ver-te entre um passo e outro, como se me estivesse a ver a mim, mas em épocas diferentes. Eu aos 30 a ver-me dançar aos 7.
Dizem que és parecida comigo. E és.
Mas sei que tu vais tornar-te numa mulher bonita. Sei que vais ser delicada, sensivel. Sei que verás o mundo de uma forma diferente das outras mulheres que te rodeiam, e por isso te sentirás diferente, quando só quererás ser igual. Para ti, viver, terá um significado muito maior. E sei que tu não vais ficar indecisa entre caminhos a escolher. Sei que ao decidires não vais olhar mais para trás, mesmo que à noite, no escuro do teu quarto, sintas que toda a tua vida podia ter outro rumo se... Mas esse "se" nunca será de arrependimento. E sei tambem que terás sempre a coragem de seguires em frente, mesmo que a vida te maltrate e magoe, mesmo que a vida te queira obrigar a sentires-te perdedora, mesmo que a vida nunca te conceda a felicidade de viveres todos os grandes amores e passes por ela apenas carregando-os no teu coração. Sei que em todos os desgostos, a esperança, nunca te abandonará. Acreditarás sempre que um dia, tudo pode ter um final feliz. E passarás pela vida sorrindo... mesmo que em ti chorem baixinho todas as decepções. Heroína....e as heroínas morrem em pé. Eu sei que pela vida fora me continuarás a provocar este nó na garganta sempre que sinto este orgulho de ti.
E estes olhos, sempre rasos de água. Cai o pano e eu, em pé, a aplaudir-te a graciosidade de menina. Vieste ter comigo e por entre abraços, disseste-me: - Tia, esta dança foi para ti. Agora sou bailarina, era o que tu querias ser, não era? Era...há muitos anos atrás, tambem eu queria ser bailarina, nos meus sonhos de criança. Um sonho que nunca pude seguir...e ver-te, foi concretizar esse sonho pelos teus pés.. 1 novembre Bom feriadocirculosNós sabemos. Mas não pensamos nisso. Talvez numa tentativa de enganar a vida. Ou a morte.
Ou não pensamos para não termos a certeza de como somos pequeninos. Ou até, quem sabe, nos iludimos numa eternidade que nem temos. É por isso que tudo é adiado. Porque amanhã eu vou, eu faço, eu digo... Esquecendo por segundos que amanhã, ou um qualquer amanhã, não estarei aqui.
Numa coisa ou noutra, importante ou não, grande para uns e sem significado para outros, todos nós, adiamos algures a vida. Adiamos alguma coisa...
Por isto ou por aquilo fica para depois. E na pressa dos planos, esquecemos o mais importante. Não paramos para ver, para sentir, para conversar.
Hoje as pessoas já não dialogam. Mandam mensagens a trocar o "q" pelo "k" e outras mais que fica dificil perceber. Pelo menos para mim, que sou mulher rude do campo. Já não há tempo. Nunca há tempo.
Não lembramos, ou esquecemos que um dia, teremos todo o tempo. E teremos tempo quando já nada houver o que fazer com ele. Andamos assim, distraídos nos problemas que pensamos ter porque não podemos entrar nos outros e conhecer com exactidão a dimensão dos deles.
Vivemos em circulos. Andamos às voltas sem nunca sair do lugar. E passamos perto de coisas belas sem as admirar porque nos parecem coisas sem conteudo. Na pressa. Na falta de tempo... ... e só depois, muito mais tarde, naquela altura em que um aperto nos mói cá dentro por saber que não podemos voltar atrás, nos damos conta. E só depois percebemos das coisas que estavam ao nosso lado e nós não percebemos. Distraídos que andamos a planear a vida, enquanto essa mesma vida nos passa ao lado no mesmo instante em que passamos ao lado dela. E só depois percebemos... só mais tarde nos damos conta... Que não vimos. Que não sentimos. Que não vivemos. Que neura!...Que neura!...
Esta procura de trabalho põe-me os nervos em franja. Dá-me um nervoso miudinho... Fica dificil seguir com a vida. Quando me divorciei e saí de casa, voltei para casa da mãmã numa situação provisória. Pois... o acampamento já dura há 4 meses. Com estes ordenados, como é possivel sobreviever? Já nem me atrevo a dizer viver. Jantar fora? Cinema? Roupa? Livros? CD's? Sapatos? Perfume? Não sei que merda é essa. Pois... isso é para os ricos. Como em casa, leio os livros que me oferecem no Natal e aniversário, ouço a RFM... Pronto, não ando nua nem descalça. E tambem não cheiro mal que a minha colecção de perfumes feita em tempo de vacas gordas, ainda existe. ReclamaçãoPosso dizer que sou tolerante. Pronto, nem sempre. Mas a maior parte da vezes, sim.
Sempre que vou às compras, lá dou por mim a reclamar interiormente pelos preços de tudo que estão pela hora da morte. Acredito tambem que serei eu e a maioria dos portugueses. Bom, pelo menos a maioria dos que não vivem desafogados. Ah que tal, um livro? Claro que sim!
15.00€ Ah, queres um CD? Não há problema!
19.00€ Hum, um presentinho para o bébé que ainda nem nasceu e que possivelmente só usará esse fatinho interior durante um mês? Fazes bem... mais 16.50€.
Cineminha??? Com ou sem pipoquinha?
Se um café aumentava de 5 em 5 escudos, agora aumenta de 5 em 5 centimos. E depois ainda fico a pensar como há sitios em que pago cafés a 0.70€.
Mas até tolero... Até tolero certas coisas e mantenho-me no silêncio. Mas desculpem lá! Há coisas que nem eu admito.
Um dia destes fui tomar café com uma amiga minha. Cada uma tomou o seu e no fim, cada uma pagou o seu. É justo...
Foi num daqueles dias em que passei todas as horas com sede. Quando me dirigi ao balcão para pagar pedi ao funcionário uma garrafa de água. E ele, do alto dos seus 1.85m diz-me todo sorridente enquanto me entregava o ticket: - 1.90€ - Desculpe?
(Eu já com olhos arregalados e cara de incrédula) -1.90€ Pego eu no papelinho com a descrição dos produtos e pergunto-lhe, serenamente:
- O sr não está, com certeza, a dizer-me que o preço desta garrafa de água é de 1.30€, pois não? - Sim, é... - Ah é? Então desculpe, mas não quero. É triste ver pessoas que são presas por roubar e outras que andam aqui de sorriso no rosto a roubar à descarada.
1.30€ por uma garrafa de água de 0.33cl quando as compram a 0.15€ ou menos???? 1.30€??????? Por uma garrafa de água ainda por cima natural???? Uma água que nem gastou energia para refrescar???? Uma garrafa de água de 0.33cl???? Nã, comigo não! pagar por uma garrafa de 0.33cl ainda por cima natural, 1.30€?? Pôrra, isso equivale a 260$00 na nossa moeda velhinha! Fonha-se, venha o calor que eu cá vou é montar uma barraquinha a vender água! Ladrões! Alguem me explicaTenho horas em que me sinto uma verdadeira lerda. Ou então não consigo atingir o ponto da questão.
Estava ainda do outro lado do mundo quando soube de um dito rapto de criança no sul deste meu país.
Deixou de ser rapto. Uns a dizerem que estava aqui, ali, acolá. Que foi levada por uma rede de tráfico de crianças, que isto, que aquilo. Bom, a minha opinião pouco ou nada conta. É apenas uma opinião. Mas faz-me confusão como uma mãe deixa de saber de um filho e são raminhos de flores e beijos e sorrisos.
Pronto, faz-me confusão. Mas como disse é apenas opinião. Não sei quanto tempo depois falam de sangue no dito quarto. E pergunto eu: este tipo de coisas não devia ser detectado naquela altura? Bom, mas é apenas opinião de quem não percebe nada disso. Já apanhei numa noticia ou outra a suspeita do envolvimento dos pais.
Não surpreende, de facto. O que me surpreende é apenas o holofote que incide nestas pessoas. Como se fossem os unicos que ficassem sem saber de um filho. A ser verdade que não saibam. Porque se não me falha a memória, a mãe da Joana jurava a pés juntos que não.
Não consigo deixar de pensar em desespero, noites vazias, em branco. Em lágrimas, em braços vazios. Em tudo o que pode envolver um desaparecimento. E recordo sempre a mãe do Rui Pedro. Que acredito que conseguiu pelo menos que quase todos nós decorasse o rosto do seu filho depois de muita luta, sem estes holofotes a incidirem sobre si. E mesmo que não se saiba dele, a sua luta não foi em vão, mesmo que não tenha sido, nem de perto nem de longe, tão esmiuçada como este caso.
Pôrra... ninguem tem o poder de desaparecer. Ou está noutro lugar ou simplesmente sem vida. A verdade é que ninguem ocupa o lugar de ninguem. Cada um que não deixa rasto, deixa familia, amigos, pessoas que lhe querem bem. Por isso, todos os que desaparecem são pessoas importantes que precisam ser encontradas. Como pode uma pessoa desaparecer? Mas desaparecem... e o que me deixa sinceramente triste, é que isso acontece todos os dias. Que aqui, no nosso pequeno mundo, desaparecem pessoas, algumas delas crianças. E lamento que nenhuma delas, diariamente, ocupe as horas de informação, repetidamente, como se não existissem outras noticias. Lamento não ver uma fotografia estampada em todos os jornais, em todos os noticiários, sempre que alguem desaparece assim, do nada, sem rasto, neste meu país. E quando noticiam um desaparecimento, não noto a mesma insistência. Serão os desaparecidos portugueses menos importantes? |
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